Uma investigação faz sucesso na Netflix

por Farid Zaine
@farid.cultura

Quando se começa um comentário sobre um filme dizendo, a partir do título, que se trata de uma investigação, já se pensa em algum crime a ser desvendado, um culpado a ser descoberto, talvez um serial-killer a ser desmascarado ou mesmo algum roubo bem articulado. Não é o caso do filme a ser comentado aqui. Na verdade trata-se de um romance , desses que fazem falta principalmente nestes nossos tempos tão conturbados e de assustadoras ameaças que pairam sobre toda a humanidade.

Falo do “romance epistolar” dirigido por Augustine Frizzell, o longa britânico “A Última Carta de Amor”. Aqui a investigação é feita por uma jornalista, Ellie Haworth (Felicity Jones), que encontra correspondências trocadas por um casal nos anos 1960; ela resolve descobrir o que aconteceu aos dois amantes, e mergulha numa pesquisa minuciosa, envolvendo revirar enormes arquivos,com a ajuda de um arquivista com quem, ela própria,passa a ter um relacionamento. A história de Ellie ocorre no presente. O filme volta ao passado para revelar a história de outra mulher, Jennifer Stirling (Shailene Woodley), a partir do momento em que, uma certa manhã, ela acorda sem memória.

Jennifer Stirling estava casada com um rico empresário , Laurence Stirling (Joe Alwin), quando passou a ter um tórrido caso extraconjugal com o correspondente internacional Anthony O´Hare (Callum Turner). Os encontros dos dois acontecem em belos ambientes, incluindo lindas tomadas de Londres e da Riviera Francesa. A bela fotografia e a direção de arte garantem perfeita reconstituição de época, valorizada por um figurino ótimo. Shailene Woodley aparece belíssima, numa interpretação que a distancia das protagonistas adolescentes de “A Culpa é das Estrelas” , em que faz a jovem Hazel Lancaster, e de “Divergente”, onde interpreta Beatrice.

As duas protagonistas, Ellie e Jennifer, vão tendo suas histórias construídas paralelamente, e há um crescente interesse pelo desfecho da história, uma busca incansável de uma obstinada e talentosa jornalista.

A construção do quebra-cabeça que levará Ellie a descobertas incríveis, é feita principalmente através das cartas trocadas entre os amantes, daí a história poder ser classificada como um “romance epistolar”. Todas as indicações que norteiam as ações da jornalista vêm das palavras contidas nas cartas, reveladoras de situações, pessoas envolvidas, locais de encontro, declarações de amor e despedidas.

Há uma quantidade grande de “romances epistolares” no cinema. Um dos mais famosos é, com certeza,”Ligações Perigosas”, a versão de Stephen Frears de 1988 para o clássico da literatura francesa “Les Liaisons Dangereuses”, de Pierre Choderlos de Laclos. Nesse filme Glenn Close tem uma de suas melhores atuações, num elenco estelar que inclui John Malkovitch, Michelle Pfeifer, Uma Thurman e Keanu Reeves. Ganhou 3 Oscars (Roteiro Adaptado, Direção de Arte e Figurino), com Glenn Close e Michelle Pfeifer indicadas a melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente.

Outro grande cineasta também fez sua versão para o romance de Choderlos de Laclos: Milos Forman, cuja adaptação resultou no longa “Valmont”, com Colin Firth, Meg Tilly e Annette Bening, que não teve a recepção positiva do filme de Stephen Frears, mas ainda assim é um excelente filme.

Vale a pena curtir o clima romântico, as emoções e as belas imagens de “A Última Carta de Amor” (The Last Letter From Your Lover) , adaptação do livro homônimo de Jojo Moyes , autora do sucesso “Como Eu Era Antes de Você”, que gerou o filme estrelado por Emilia Clark e Sam Cafflin.

“A Última Carta de Amor” – filme de 2021 , disponível na Netflix.
Cotação: ***BOM

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