por Farid Zaine
@farid.cultura

No dia 18 de junho o mundo deu adeus à atriz francesa Anouk Aimée. Ela tinha 92 anos e morreu em Paris, onde nasceu. Dona de uma beleza clássica e de uma celebrada elegância, Aimée era considerada também uma figura de referência para a moda.

Trabalhou com grandes nomes como Federico Fellini, Vittorio de Sica, Dino Risi, Bernardo Bertolucci e muitos outros, mas seu maior sucesso popular foi com o diretor Claude Lelouch no antológico “Um Homem, Uma Mulher” (Um Homme et Une Femme), de 1966. O longa de Lelouch teve em Anouk Aimée a parceira ideal para Jean -Louis Trintignant, num filme que arrebatou as plateias de todo o mundo e se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria e crítica de 1966/1967.

“Um Homem, Uma Mulher” mostra o relacionamento entre Anne e Jean-Louis, dois viúvos que se encontram casualmente ao visitar os filhos num colégio interno, e aos poucos desenvolvem uma grande paixão, enquanto relembram os momentos vividos nos casamentos anteriores.

Com um roteiro perfeito e uma edição primorosa, o longa causou impacto imediato e venceu os principais prêmios da época no cinema, como a Palma de Ouro em Cannes, os Oscars de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original, o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro e também o de melhor atriz de drama para Anouk Aimée.

A trilha sonora, assinada por Francis Lai, além do icônico tema principal, agradou em cheio ao público , principalmente o brasileiro, por conter a música de Vinícius de Moraes e Baden Powell, “Samba da Bênção”, que ganhou uma versão francesa, “Samba Saravah”, e projetou nomes importantíssimos da música popular brasileira para todo o mundo, já que na letra são citados grandes compositores brasileiros. Cantado em francês por Pierre Barrouh, o “Samba da Bênção” ganhou um charme especial.

A obra de Anouk Aimée pode ser vista e revista, e sua enorme contribuição ao sucesso internacional do cinema francês é inquestionável. “A Doce Vida”, “Oito e Meio” e “Lola, a Flor Proibida” são títulos que marcaram sua carreira, além do megassucesso “Um Homem, Uma Mulher” que, aliás, teve uma continuação assinada pelo próprio Lelouch, “Um Homem, Uma Mulher – Vinte Anos Depois”, em que Aimée e Trintignant interpretam as mesmas personagens do filme anterior, vinte anos após a separação do casal.

Importante também é conhecer a obra de Claude Lelouch, o diretor que deu a Anouk Aimée seu maior sucesso popular. Vale a pena, por exemplo, ver ou rever “Retratos da Vida” (Les Uns et Les Autres, 1981), um grande sucesso do diretor, marcado principalmente por uma extraordinária coreografia de Jorge Donn para o Bolero, de Ravel. Aimée não está nesse filme, que tem presença feminina marcante de Nicole Garcia, Geraldine Chaplin e Fanny Ardant.

Um viva ao cinema francês e, para Anouk Aimée, um “saravá” bem brasileiro.

UM HOMEM, UMA MULHER (França, 1966 – Direção de Claude Lelouch), com Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant.
Cotação: ***** ÓTIMO

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