Tragédia na Ponte do Esqueleto leva Câmara a cobrar bloqueios e controle de acesso em Limeira

Antes do início da sessão ordinária desta segunda-feira (15), a tragédia que resultou na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump na Ponte do Esqueleto, já provoca uma série de repercussões políticas e deve pautar os debates no Legislativo limeirense. Além das manifestações de autoridades locais nas redes sociais e das investigações em andamento, vereadores cobram providências para impedir novas ocorrências em um local marcado por um histórico de acidentes graves.

Uma das demandas já protocoladas é a do vereador Estevão Nogueira (Avante). Ele questiona quais medidas serão adotadas pelo Poder Executivo para restringir o acesso à estrutura localizada na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis. O documento pede informações sobre a possibilidade de implantação de barreiras físicas, cercamento, sinalização e outras intervenções que possam impedir a entrada de pessoas na área.

No requerimento, o vereador ressalta que a Ponte do Esqueleto está desativada para o tráfego há cerca de três décadas, possui aproximadamente 40 metros de altura e acumula um histórico conhecido de acidentes e mortes. O texto menciona episódios anteriores envolvendo quedas de duas mulheres, que ficaram gravemente feridas, e a morte de um ciclista, além da tragédia registrada no último sábado (13), durante um evento de esportes radicais.

A iniciativa também busca esclarecer se o Município possui registros oficiais das ocorrências no local, quais providências imediatas serão adotadas para evitar novos acidentes e se houve comunicação formal aos órgãos federais responsáveis pela área, como DNIT e ANTT. O parlamentar ainda questiona se a ação judicial anunciada pelo prefeito Murilo Félix contra o Governo Federal já foi ajuizada e qual será a atuação do Município para garantir a segurança da população enquanto aguarda uma solução definitiva.

Embora o novo requerimento tenha sido motivado pela morte da jovem de 21 anos, a preocupação em torno da Ponte do Esqueleto não surgiu apenas agora. Outros vereadores já haviam apresentado pedidos de providências relacionados ao local. A vereadora Bruna Magalhães encaminhou solicitações cobrando medidas de segurança e fiscalização, enquanto Felipe Penedo também levou o assunto ao Legislativo, defendendo ações preventivas e uma atuação mais efetiva dos órgãos responsáveis.

A expectativa é que a sessão ordinária desta segunda-feira seja marcada por um debate mais aprofundado sobre a ocorrência de sábado. O caso mobilizou autoridades locais, que se manifestaram publicamente nas redes sociais ao longo do fim de semana, lamentando a morte da jovem e cobrando medidas para evitar que novas tragédias se repitam.

Prisão preventiva
Neste domingo (14), após audiência de custódia realizada em Limeira, a Justiça converteu em prisão preventiva as detenções em flagrante de três suspeitos ligados à organização da atividade de rope jump. Eles são investigados por homicídio com dolo eventual, hipótese em que, segundo o entendimento da Polícia Civil, os envolvidos assumiram o risco de produzir o resultado morte.

Ofício federal já recomendava restrição de acesso à ponte

As discussões em torno da segurança da Ponte do Esqueleto, entretanto, não são recentes. Em maio de 2024, o tema já havia mobilizado a Câmara de Limeira após a morte de uma ciclista de Rio Claro que caiu da estrutura durante um passeio com amigos. Na ocasião, um ofício da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), lido em plenário, esclareceu que a ponte integra o patrimônio da extinta Rede Ferroviária Federal e que sua transferência para a União ainda estava em tramitação. O documento solicitava que a Prefeitura adotasse sinalização e medidas para impedir o acesso de pessoas ao local. Atendendo ao pedido, o Executivo chegou a bloquear a entrada com a abertura de uma vala (imagem em destaque desta reportagem), medida que gerou reação de grupos de ciclistas e praticantes de esportes de aventura que defendiam a liberação da área. O assunto foi debatido pelos vereadores e voltou a ser acompanhado por comissões permanentes da Câmara, evidenciando que a preocupação com os riscos existentes na Ponte do Esqueleto já vinha sendo discutida pelo poder público há pelo menos dois anos.

Foto: Arquivo/ Reprodução/ Requerimento Vereador Marco Xavier

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