Uma reunião realizada na tarde desta segunda-feira (15), no gabinete do prefeito de Limeira (SP), Murilo Félix, discutiu medidas relacionadas à chamada Ponte do Esqueleto, localizada entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, onde aconteceu a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump no último sábado (13). Entre os encaminhamentos registrados em ata está o pedido do prefeito para que seja realizada a demolição da estrutura por meio de implosão e para que a Polícia Federal seja acionada para apurar a legalidade das atividades desenvolvidas no local.
O encontro foi convocado e contou com representantes da Prefeitura de Limeira, da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), da Advocacia-Geral da União (AGU), da Câmara Municipal e do deputado federal Miguel Lombardi.
Durante a reunião, o superintendente do Patrimônio da União no Estado de São Paulo, Celso Santos Carvalho, apresentou um histórico da área. Segundo ele, a Ponte do Esqueleto integra um ramal ferroviário que nunca chegou a ser implantado, originado a partir de desapropriações, e que foi incorporado ao patrimônio da União em maio de 2026.
Celso Carvalho informou ainda que eventual destinação da área dependeria de manifestação expressa de interesse do município e destacou a intenção de cooperação entre União e Prefeitura para adoção de medidas de controle de acesso ao local. Ele relatou também que, em 2024, a SPU encaminhou ofício ao município solicitando apoio para implantação de medidas de contenção.
Em sua manifestação, o prefeito Murilo Félix afirmou que a administração municipal vem adotando medidas desde 2024 para restringir o acesso à ponte, entre elas a instalação de placas, restrições de acesso, fechamento do portão existente na parte inferior da estrutura e abertura de valas. O prefeito destacou, entretanto, que existem limitações para atuação do município, uma vez que os acessos à área se dão por propriedades particulares e que a ponte pertence à União, não havendo acessos municipais que levem diretamente ao local.
Durante a reunião, Celso Carvalho sugeriu a possibilidade de doação ou cessão da área à Prefeitura de Limeira. Em resposta, Murilo Félix afirmou que, neste momento, não existe vocação ou interesse público para o recebimento do patrimônio, ressaltando que o município possui outras prioridades. O representante da SPU acrescentou que todo o ramal ferroviário está disponível para eventual doação ou cessão, caso haja interesse futuro.
Ainda segundo a ata, a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo deverá estudar novas medidas para reforçar a sinalização e impedir o acesso à ponte, incluindo a instalação de placas informando tratar-se de propriedade da União e a implantação de novas barreiras físicas, como a reabertura de valetas.
Atividades no local
O presidente da Câmara Municipal, Everton Ferreira, afirmou ter tomado conhecimento da existência de atividades programadas para ocorrer no local até meados de setembro e pediu que o governo federal adotasse medidas para impedir o acesso à área.
Entre os encaminhamentos definidos ao final da reunião, ficou estabelecido que a Secretaria de Patrimônio da União, por meio da Superintendência de São Paulo, realizará estudos para ampliar a sinalização indicando que a área pertence ao governo federal e que o acesso é ilegal e sujeito à responsabilização. Também serão avaliadas outras barreiras físicas para impedir a entrada no local.
A SPU solicitou ainda que a Prefeitura de Limeira providencie a reabertura das valetas utilizadas para restringir o acesso à ponte. O município aceitou o pedido, ressaltando, entretanto, que fará apenas a reabertura das valas que foram aterradas irregularmente e que a manutenção dessas estruturas não ficará sob responsabilidade da administração municipal.
Outro ponto registrado na ata foi o pedido do prefeito Murilo Félix para que a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo, com assessoria da Advocacia-Geral da União, provoque a atuação da Polícia Federal, em razão de se tratar de patrimônio da União. O objetivo é requerer a instauração de inquérito para apurar a legalidade das atividades desenvolvidas por usuários e empresas que exploram comercialmente ou não o local, bem como de empresas e pessoas físicas que divulgam nas redes sociais a realização de eventos e atividades futuras na área, uma vez que o acesso é considerado proibido.
A ata registra ainda que o prefeito solicitou a demolição da ponte por meio de implosão.
Ao final do encontro, ficou definido que uma nova reunião será agendada para apresentação das medidas adotadas e eventual deliberação sobre novos encaminhamentos.
Participantes da reunião
• Murilo Berbert Avigo Félix, prefeito municipal de Limeira;
• Jonathan Domingues Fernandes, secretário municipal de Assuntos Jurídicos interino;
• Everton Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Limeira;
• Miguel Lombardi, deputado federal;
• Celso Santos Carvalho, superintendente do Patrimônio da União no Estado de São Paulo;
• Lino Sartori, engenheiro da Secretaria de Patrimônio da União;
• Aede Cadaxa, assessora de imprensa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
• Mauro Jorge Makuch, da Câmara de Conciliação em São Paulo, da Advocacia-Geral da União;
• Luiz Carlos de Freitas, consultor jurídico da União em São Paulo, da Advocacia-Geral da União.
Manifestação da SPU após as reuniões nos municípios de Limeira e Cordeirópolis
“A Secretaria do Patrimônio da União e a Advocacia Geral da União (AGU) estiveram no dia de hoje na região da ponte do Esqueleto, onde mantiveram reuniões com a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad, e o prefeito de Limeira, Murilo Felix, e suas equipes. Nos dois encontros, governos federal e municipais reiteraram a intenção de atuar em conjunto para inibir acesso à ponte até uma solução definitiva para aquele patrimônio.
A prefeita de Cordeirópolis reiterou que o acesso à ponte pelo município de Cordeirópolis sempre esteve bloqueado e também manifestou ao governo federal posição favorável à implosão da ponte do Esqueleto. Prefeitura e SPU combinaram que o governo local vai reforçar ações para conter o acesso à ponte.
O prefeito de Limeira também informou à SPU as ações de contenção adotadas e manifestou posição favorável à demolição. Na reunião, a prefeitura se comprometeu a reabrir vala que havia sido aberta para impedir acesso ao local e foi posteriormente fechada sem conhecimento da administração local.
A SPU-SP, por sua vez, se comprometeu a colocar placas de aviso, informando que a ponte é propriedade da União e a entrada é proibida, e instalar barreiras físicas para impedir o acesso à ponte.
A SPU continuará discutindo com os governos locais uma solução definitiva para a referida ponte, que poderá ser eventual remoção.
A SPU reafirma que a transferência da ponte para o Patrimônio da União sob gestão da Secretaria foi oficializada em maio, que nunca autorizou nenhuma atividade na referida ponte e que o diálogo e parceria entre entes federados é o caminho para gestão de espaços de uso comum”.
Foto: Prefeitura de Limeira

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