No início da tarde de 2 de outubro de 2023, uma linha artesanal com cerca de três metros foi atirada de um pavilhão para outro dentro da Penitenciária de Limeira, no interior paulista. Presa à linha, havia uma mensagem que acompanha papelotes de maconha sintética, com instruções para pagamento via PIX. Nesta terça-feira (6/5), a Justiça absolveu o réu acusado de repassar a droga.
A denúncia da promotora Michelli Musse Jacob imputou o ato a F.B.C.. A mensagem, conhecida no meio policial como “pipa”, saiu do Pavilhão VI e informava que enviava 57 micropontos de M4 (maconha sintética) para um homem do Pavilhão V.
O aviso era para que ele revendesse o entorpecente e depositasse o dinheiro no PIX de uma mulher, a companheira de F.. A mulher também passou por investigação, mas o Ministério Público arquivou, pois não encontrou indícios de sua participação. E denunciou F. por tráfico de entorpecentes.
Quem lançou a “pipa” com maconha sintética?
Após a instrução, o juiz Guilherme Lopes Alves Lamas, da 2ª Vara Criminal, não se convenceu da autoria do crime. Nenhuma das testemunhas afirmou ter visto F. lançando a linha com drogas. Elas concluíram a suposta responsabilidade a partir do bilhete com a instrução para o PIX. Por outro lado, o acusado negou e disse que um terceiro pode ter usado o seu nome para o ato.
“Embora haja verossimilhança na suposição feita pelos policiais penais, reputo que é pouco para condenar alguém por delito tão grave como o de tráfico de drogas”, afirmou o magistrado.
Ele observou que outras diligências ajudariam a elucidar o caso, como uma perícia grafotécnica na carta para verificar se o escrito partiu do réu. Ou a quebra do sigilo bancário da companheira, para saber se outras transações semelhantes ocorreram. Nada disso foi feito. E o arquivamento do inquérito contra a mulher também enfraqueceu a acusação contra o companheiro.
Dessa forma, com a absolvição, o MP pode recorrer.
Foto: Divulgação
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