O voto consciente e a cobrança permanente do Legislativo

por capitão Herlon Correa de Paula

A cada eleição, a atenção do eleitor se volta para a escolha do presidente da República e do governador do Estado. No entanto, é no Poder Legislativo — Congresso Nacional e Assembleia Legislativa — que se definem, de fato, os rumos do Brasil e de São Paulo. Senadores e deputados aprovam o orçamento, criam leis e exercem a fiscalização sobre o Executivo.

O problema é que, após eleitos, esses representantes acabam esquecidos pelo eleitorado. A cobrança pública concentra-se na figura do chefe do Executivo, enquanto o trabalho do Legislativo passa despercebido. Esse comportamento enfraquece a accountability e transfere o foco da representação popular para os interesses partidários e corporativos.

A consequência é clara: sem fiscalização efetiva, o mandato parlamentar torna-se mais responsivo às lideranças partidárias do que aos anseios da sociedade. Privilégios se mantêm, conluios se perpetuam e a classe política se distancia do cidadão.

A boa notícia é que a tecnologia reduziu essa distância. Hoje, as redes sociais permitem que qualquer eleitor cobre diretamente seus representantes — mesmo que não tenha votado neles. Política não é futebol. Quem recebe o voto assume o compromisso de trabalhar para o povo, com remuneração e benefícios pagos pelo próprio cidadão.

Por isso, votar com consciência e cobrar com constância é obrigação de todo eleitor. Renovação política e fiscalização ativa são instrumentos indispensáveis para que o mandato não se transforme em cheque em branco.

Herlon Correa de Paula é capitão da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo, Chefe da Seção Operacional do 36º BPM/I.

Os artigos assinados representam a opinião do(a) autor(a) e não o pensamento do DJ, que pode deles discordar

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