Medo de preconceito impediu funcionários de barrar autor de furto em comércio

R.J.O. foi julgado em Limeira (SP) na quarta-feira (15) pelo crime de furto. O Ministério Público (MP) atribuiu a ele uma série de subtrações que ocorreu em estabelecimentos do Centro e, num dos comércios, uma situação chama a atenção: funcionários disseram que permitiram a saída dele com receio de serem taxados como preconceituosos, pois o acusado é negro.

Os alvos do réu foram uma ótima, uma loja de cosméticos, outra de calçados e até uma farmácia. Consta na denúncia que ele pegava produtos, escondia na roupa e deixava os estabelecimentos. Na maioria dos casos, os crimes só foram percebidos quando os comerciantes notavam a falta dos itens e checavam o sistema de monitoramento.

No entanto, num dos comércios, quando ele pegou os produtos o alarme tocou, a gerente foi comunicada e funcionários chegaram a flagrá-lo. Uma testemunha mencionou que deixaram ele sair com medo de serem chamados de preconceituosos porque o réu é negro. Policiais foram acionados e detiveram R., que estava com produtos dos demais comércios e que foram reconhecidos pelos proprietários.

Inicialmente, aos policiais, o acusado negou os crimes. À Justiça, confessou ter realizado furtos em uma ótica, uma perfumaria e uma farmácia, estando sob efeito de droga e bebida, pretendendo vender as mercadorias para poder comprar entorpecentes.

Ao analisar a denúncia, o juiz Rogério Danna Chaib concluiu ter o réu cometido os quatro crimes e descartou a possibilidade de tentativa de furto, optando pela modalidade de furto consumado. “Desse modo, havendo a confissão do réu sobre ter realizado os furtos, sendo surpreendido na posse de bens furtados, conforme dito pelos policiais militares ouvidos em juízo, tendo ainda os funcionários das vítimas dito que viram os atos de subtração cometidos pelo réu pelos sistemas de filmagem dos estabelecimentos, evidentemente o réu cometeu as condutas que lhe foram imputadas na denúncia. Inaceitável alegar-se a ocorrência de furtos tentados, pois o acusado teve a posse dos bens subtraídos, ainda que momentaneamente, sendo o que basta para a consumação de tal delito”, mencionou na sentença.

R. foi condenado à pena de dois anos e seis meses de reclusão no regime inicial semiaberto. A defesa pode recorrer.

Foto: Pixabay

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