Uma mãe recorreu à Justiça para tentar reunir provas que, segundo ela, podem apontar para possível erro de diagnóstico por imagem que resultou numa cirurgia em seu filho, um bebê. A criança tinha um quadro de testículo não descido. O laudo da ressonância magnética realizada na clínica apontou que o testículo estava dentro da cavidade abdominal (fossa ilíaca direita). Porém, durante a cirurgia, os médicos não teriam identificado o problema apontado pelo diagnóstico.
O que a mãe busca?
A ação de produção antecipada de provas está em trâmite na Vara Única de Cordeirópolis (SP). A mãe alegou que, com base no exame de imagem, a equipe médica realizou uma cirurgia invasiva por videolaparoscopia no abdômen do seu filho, que, na época, tinha menos de um ano de vida.
Contudo, o testículo não estava no abdômen, mas sim atrófico dentro da própria bolsa escrotal, onde acabou sendo removido (orquiectomia).
Segundo a genitora, a indicação incorreta da localização do órgão fez o bebê passar por cortes/acessos cirúrgicos desnecessários no abdômen. Por isso, pediu a produção de prova técnica para eventual responsabilização da clínica.
Posicionamento da clínica
A empresa sustentou os limites cognitivos da produção antecipada de prova, destacando que a atividade diagnóstica possui limitações inerentes ao método de imagem e que o achado patológico central de atrofia testicular restou confirmado pela biópsia posterior.
Defendeu a autonomia técnica da equipe cirúrgica na escolha da abordagem operatória e requereu a expedição de ofícios à médica cirurgiã e ao hospital para a juntada da íntegra do prontuário médico, postulando a realização de perícia por especialista em radiologia pediátrica.
Despacho da juíza
Ao analisar a demanda, a juíza Juliana Silva Freitas, da Vara Única de Cordeirópolis (SP), em despacho no dia 10 deste mês, determinou a expedição de ofícios para que a médica cirurgiã e o hospital forneçam informações em até 15 dias.
Determinou ainda perícia médica por especialista em urologia pediátrica. A perícia será mista: incluirá o exame físico presencial na criança e a análise das imagens originais da ressonância, laudos e prontuários.
A magistrada formulou quesitos específicos para o perito responder (avaliando a qualidade das imagens, limitações do exame e impactos da cirurgia abdominal).
As partes têm 15 dias para indicar assistentes técnicos e enviar seus próprios questionamentos.
Foto: Magnific

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