
A Justiça de Limeira (SP) determinou que 4 pessoas envolvidas no assassinato de Antonio Benedito Anzoli, o Toni, morto a tiros em 10 de dezembro de 2024, numa garagem na Vila Rosana, região do Jd. Teixeira Marques, sejam levadas a júri popular. A sentença é da 2ª Vara Criminal e ficou disponível na última sexta-feira (30/5).
Por outro lado, a decisão absolveu sumariamente os quatro acusados em relação ao delito de associação criminosa.
CÂMERAS AUXILIARAM INVESTIGAÇÃO
Toni tinha 59 anos. Gravações de câmeras de segurança nas imediações do local do atentado – uma garagem de ônibus – revelaram que o homicídio foi executado por um homem de estatura média, com capa de chuva e mochila alaranjada nas costas. Ele estava a bordo de uma motocicleta, que chegou no local acompanhando o automóvel da vítima.
Eles desembarcaram e entraram na garagem. O motociclista alvejou Toni e fugiu. No entanto, câmeras da permitiram a identificação da moto. O veículo estava registrado sob nome de terceiro, que tinha passagens policiais nas cidades de Mogi Mirim e Mogi Guaçu.
DIÁLOGOS ANTERIORES
No dia de sua morte, Toni trocou mensagens com O.P.M.. O interlocutor marcou encontro da vítima com um suposto interessado na compra de ônibus. Assim, O. atraiu Toni para viabilizar seu assassinato. A polícia descobriu uma chácara que pertence a O., em Mogi Mirim, e localizou diversas passagens da moto de R.S.H., o executor do crime.
O aparelho telefônico da vítima revelou diálogo com outro denunciado: E.R.O., o seu sócio. Menos de duas horas antes do homicídio, E. falou com Toni sobre um interessado na compra de ônibus. Avisou que iria a Campinas buscar peças de um caminhão.
Com base nestes indícios, a polícia obteve mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. Na chácara de O., os policiais notaram a aproximação de um Citroen, cujo motorista se assustou. Era o executor do homicídio, que estava com sua companheira. R. tentou explicar sua presença no local, mas a polícia notou que ele trajava roupas similares às usadas no dia do crime.
ENVOLVIMENTO DOS DEMAIS
R. confessou que se desfez do veículo após o atentado contra Toni. Revelou que as tratativas sobre o assassinato foram intermediadas por O., seu amigo. Foi ele que lhe forneceu arma, celular e marcou o encontro. R. deu os nomes dos mandantes: E.R.O. e o seu funcionário, A.P.P.. R. falou que o sócio de Toni o acompanhou previamente até Limeira e mostrou a garagem.
Duas semanas antes do crime, A. participou de reunião na chácara de O., quando os quatro homens estavam presentes para debater a execução de Toni. Segundo o promotor Rafael Fernandes Viana, não por acaso, E. e O. foram para Campinas no dia do crime, sob pretexto de compras peças automotivas. “Certamente no intuito de criar um álibi”, observou.
R. admitiu o crime e a participação dos demais em depoimento à polícia. E. ficou em silêncio. Por outro lado, A. disse que não participou do ato, mas confirmou a reunião na chácara. Os três seguem presos. O. teve a prisão decretada, mas segue foragido.
Com a sentença de pronúncia, os quatro vão ser julgados por homicídio duplamente qualificado – motivo torpe e sem chance de defesa. Os acusados presos não poderão aguardar o julgamento em liberdade e podem recorrer.
Foto: Diário de Justiça
Rafael Sereno é jornalista, escreve para o Diário de Justiça e integra a equipe do podcast “Entendi Direito”. Formado em jornalismo e direito, atuou em jornal diário e prestou serviços de comunicação em assessoria, textos para revistas e produção de conteúdo para redes sociais.
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