A Justiça de Limeira (SP) recebeu denúncia do Ministério Público (MP) e abriu ação penal contra 4 pessoas por associação criminosa. Elas estão envolvidas no assassinato de Antonio Benedito Anzoli, o Toni, morto a tiros em 10 de dezembro de 2024, numa garagem na Vila Rosana, região do Jd. Teixeira Marques. A investigação de homicídio tramita de forma separada e está sob sigilo.
No decorrer do inquérito, a Polícia Civil identificou que os quatro homens se associaram, de forma permanente e estável, com emprego de arma de fogo, para a prática de crimes. A morte de Toni, aos 59 anos, foi organizada com divisão de tarefas. Nesta denúncia por associação criminosa, não consta a motivação do homicídio.
O ponto de partida da apuração foram imagens de câmeras de segurança nas imediações do local do atentado – uma garagem de ônibus. As gravações revelaram que o homicídio foi executado por um homem de estatura média, com capa de chuva e mochila alaranjada nas costas. Ele estava a bordo de uma motocicleta, que chegou no local acompanhando o automóvel da vítima.
Eles desembarcaram e entraram na garagem. O motociclista alvejou Toni e fugiu. No entanto, câmeras da “muralha digital” permitiram a identificação da moto. O veículo estava registrado sob nome de terceiro, que tinha passagens policiais nas cidades de Mogi Mirim e Mogi Guaçu.
O dia do homicídio
No dia de sua morte, Toni trocou mensagens com O.P.M., de 61 anos. O interlocutor marcou encontro da vítima com um suposto interessado na compra de ônibus. Assim, O. atraiu Toni para viabilizar seu assassinato. A polícia descobriu uma chácara que pertence a O., em Mogi Mirim, e localizou diversas passagens da moto de R.S.H., 44 anos, o executor do crime.
O aparelho telefônico da vítima revelou diálogo com outro denunciado: E.R.O., 42 anos, o seu sócio. Menos de duas horas antes do homicídio, E. falou com Toni sobre um interessado na compra de ônibus. Avisou que iria a Campinas buscar peças de um caminhão.
Com base nestes indícios, a polícia obteve mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. Na chácara de O., os policiais notaram a aproximação de um Citroen, cujo motorista se assustou. Era o executor do homicídio, que estava com sua companheira. R. tentou explicar sua presença no local, mas a polícia notou que ele trajava roupas similares às usadas no dia do crime.
Questionado sobre a moto, R. confessou que se desfez do veículo após o atentado contra Toni. Revelou que as tratativas sobre o assassinato foram intermediadas por O., seu amigo. Foi ele que lhe forneceu arma, celular e marcou o encontro. R. deu os nomes dos mandantes: E.R.O. e o seu funcionário, A.P.P., de 64 anos. R. falou que o sócio de Toni o acompanhou previamente até Limeira e mostrou a garagem.
Reunião em chácara
Duas semanas antes do crime, A. participou de reunião na chácara de O., quando os quatro homens estavam presentes para debater a execução de Toni. Segundo o promotor Rafael Fernandes Viana, não por acaso, E. e O. foram para Campinas no dia do crime, sob pretexto de compras peças automotivas. “Certamente no intuito de criar um álibi”, observou.
R. admitiu o crime e a participação dos demais em depoimento à polícia. E. ficou em silêncio. Por outro lado, A. disse que não participou do ato, mas confirmou a reunião na chácara. Os três estão presos. O. teve a prisão temporária decretada, mas não foi localizado.
Com o recebimento da denúncia pelo juiz Luis Carlos Martins, da 2ª Vara Criminal, no último dia 16, a Justiça vai citar os réus. Dessa forma, eles terão prazo de 10 dias para responderem à acusação de associação criminosa.
Foto: Diário de Justiça
Rafael Sereno é jornalista, escreve para o Diário de Justiça e integra a equipe do podcast “Entendi Direito”. Formado em jornalismo e direito, atuou em jornal diário e prestou serviços de comunicação em assessoria, textos para revistas e produção de conteúdo para redes sociais.
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