Homem ameaçou jogar veículo dentro do rio para matar ex-mulher

Sabendo que a ex-mulher não sabia nadar, um homem a fez entrar no carro e passou a amedrontá-la, dizendo que jogaria o veículo dentro do rio para que ambos morressem. A intimidação levou a vítima a uma crise de pânico e ela só se salvou por um fator inesperado no trajeto. Nesta semana, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a condenação do réu pelo crime de ameaça.

Conversa no carro

O caso aconteceu numa noite de maio de 2022, na cidade de Teodoro Sampaio (SP). Homem e mulher foram casados por 20 anos e tiveram dois filhos. Estavam separados. Após devolver os filhos, ele a convidou para conversar dentro do carro. Ela aceitou.

Neste momento, o homem travou as portas e saiu em alta velocidade, em sentido ao balneário local. Durante o trajeto, dizia que jogaria o carro no leito do rio para que ambos morressem.

Perdeu a direção

No entanto, o motorista perdeu o controle do carro e se chocou contra um palanque de madeira. O acidente não deixou ferimentos na mulher. Ainda assim, ele continuou com as ameaças, dizendo que a mataria. Apesar disso, o homem deu carona à mulher à casa da mãe, de onde ela foi levada ao hospital, em crise de pânico.

No recurso de apelação, a defesa pediu a absolvição do réu por ausência de dolo específico. O homem confirmou que teve um desentendimento com a ex-esposa, mas negou as ameaças.

Crise de pânico

O relator, desembargador Freddy Lourenço Ruiz Costa, considerou os relatos da vítima e testemunhas firmes, seguros e alinhados com a ficha ambulatorial, que atestou a crise de pânico da mulher. “Diante das palavras proferidas notadamente de que iria jogar o veículo dentro do rio para matá-la, sabendo que a vítima não sabe nadar, não há como afastar a intimidação que evidentemente abalou sua tranquilidade de espírito e sensação de segurança”, apontou.

A pena foi fixada em 1 ano e 12 dias de detenção, em regime inicial aberto, com indenização mínima de R$ 1,5 mil à vítima. Cabe recurso.

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Foto: Pixabay

Rafael Sereno é jornalista, escreve para o Diário de Justiça e integra a equipe do podcast “Entendi Direito”. Formado em jornalismo e direito, atuou em jornal diário e prestou serviços de comunicação em assessoria, textos para revistas e produção de conteúdo para redes sociais.

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