Guerra sem Fim

por Farid Zaine
@farid.cultura

A lembrança do 11 de setembro de 2001 inundou os noticiários das redes na semana passada, e continuam. Passados 20 anos, o impacto do maior atentado terrorista da história abalou a humanidade, gerou incertezas e angústias, e se prolongou depois na vida de milhões de pessoas afetadas diretamente pela chamada “Guerra ao Terror”.

O que você estava fazendo naquele 11 de setembro de 2001? Esta é uma pergunta que corre nas redes sociais, e as pessoas que assistiram, ao vivo, a esse momento de terror e incredulidade, nunca mais se esqueceram de onde estavam naquele momento, e o que sentiram diante das imagens chocantes que chegavam pela TV.

O jornalista Marcos Uchôa dirige um documentário que está disponível no Globoplay, em 4 episódios. Ele esteve no Afeganistão e em outros países analisando os efeitos daquele dia fatídico, em que as duas torres do World Trade Center foram atingidas por aviões sequestrados por terroristas, e ainda com uma promessa de uma “tempestade de aviões” anunciada pelos que assumiram o atentado.

O diferencial do documentário de Uchôa, chamado “Retratos de Uma Guerra sem Fim”, é o fato de que ele viveu o cotidiano dos países envolvidos, principalmente o Afeganistão. Lá ele chegou a morar numa casa de afegãos, e seu registro dessa passagem pela convivência com uma família que tenta levar sua vida da melhor forma possível, é particularmente emocionante.

O fim da presença americana no Afeganistão, confirmada com a tomada de Cabul pelo Talibã, também ecoou de forma contundente no mundo todo, com análises duras sobre a atitude de Joe Biden. O mundo viu, após o anúncio da retirada dos americanos, cenas surreais de pessoas desesperadas, abarrotando o aeroporto de Cabul, fazendo de tudo para tentar deixar o país, arriscando a vida e , como nas cenas dramáticas dos que despencaram de um  avião, morrendo tragicamente. Ninguém queria mais imaginar viver sob as ordens do Talibã, após 20 anos em que puderam respirar, estudar, circular livremente, e em que as mulheres puderam participar da vida do país. Tudo ficou ameaçado num curto espaço de tempo, com o exército afegão nada podendo fazer contra a fácil dominação do Talibã.

Já que fomos afetados por essas lembranças do 11 de setembro, e mergulhados no cotidiano atual de sofrimento e incertezas dos afegãos, podemos também voltar a filmes ligados a esse tema. Uma dica é “O Caçador de Pipas” (The Kite Runner), dirigido por Marc Foster,  baseado no Best-seller homônimo de Khaled Hosseini, uma história emocionante que é capaz de nos colocar dentro dos horrores que era viver sob o regime do Talibã.

Outro filme marcante é “A Hora Mais Escura” (Zero Dark Thirty), dirigido por Kathryn Bigelow, primeira mulher a ser premiada com o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção, por “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker). “A Hora Mais Escura” é um poderoso drama político de suspense sobre a caçada implacável a Osama Bin Laden.

Por hoje, a recomendação principal é o documentário de Marcos Uchôa, “Retratos de Uma Guerra sem Fim”, com seu título infelizmente premonitório.

Retratos de Uma Guerra sem Fim – Documentário em 4 episódios – Globoplay

Cotação: ****MUITO BOM

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