Em meio aos desdobramentos da morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump realizada no último sábado (13), o Governo Federal afirmou que a solução para a situação da Ponte do Esqueleto passa pela atuação integrada dos diferentes níveis de poder público. Em nota enviada ao Diário de Justiça por meio da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a União defendeu medidas imediatas para impedir o acesso à estrutura e coibir atividades consideradas irregulares.
“Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à Ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais. E, na sequência, decidir o futuro da Ponte do Esqueleto de forma conjunta”, afirmou a SPU.
A manifestação ocorre em meio ao debate sobre as responsabilidades em relação ao local, situado na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, e após a Prefeitura de Limeira anunciar que pretende ingressar com uma ação judicial contra o Governo Federal por suposta omissão na adoção de medidas de segurança.
Na nota, a Secretaria de Patrimônio da União lamentou a morte de Maria Eduarda e se solidarizou com familiares e amigos da jovem. O órgão também destacou que nunca autorizou a realização de atividades esportivas ou de qualquer outra natureza na estrutura.
Segundo a SPU, a Ponte do Esqueleto faz parte de um trecho ferroviário que nunca chegou a ser implantado pela extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e está localizada no interior de propriedades particulares. O processo de incorporação da estrutura ao patrimônio da União foi autorizado em 2026.
Apesar disso, a secretaria afirma que, desde 2024, vinha solicitando apoio dos municípios para restringir o acesso ao local. De acordo com a nota, uma parceria estabelecida naquele ano permitiu o bloqueio da ponte por alguns meses. Posteriormente, porém, a reabertura da área voltou a ser discutida em Limeira e, segundo a SPU, chegou a ser defendida por empresários ligados ao setor de esportes de aventura durante debates realizados na Câmara Municipal.
As discussões em torno da segurança da Ponte do Esqueleto não são recentes. Em maio de 2024, um ofício da Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo foi levado ao plenário da Câmara de Limeira e esclareceu que a estrutura integra o patrimônio da antiga RFFSA e que sua transferência para a SPU ainda estava em andamento. Na ocasião, o órgão federal solicitou que a Prefeitura realizasse a sinalização do local e adotasse medidas para impedir o acesso de pessoas.
Em atendimento à solicitação, o município chegou a abrir uma vala e utilizar a terra retirada como barreira física para restringir a entrada na área. A medida, no entanto, gerou reação de grupos de ciclistas e empresários ligados aos esportes de aventura, que defendiam a liberação da ponte. O tema foi debatido pelos vereadores e passou a ser acompanhado por comissões permanentes da Câmara.
A morte de Maria Eduarda reacendeu a discussão sobre a necessidade de intervenções permanentes na estrutura. Nesta segunda-feira (15), a Câmara Municipal de Limeira deve discutir novas medidas relacionadas ao local.
Paralelamente, as investigações sobre as circunstâncias do acidente seguem em andamento. Três pessoas ligadas à organização da atividade de rope jump tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas pela Justiça de Limeira após audiência de custódia realizada no domingo (14). Os investigados respondem por homicídio com dolo eventual, hipótese em que, conforme entendimento da Polícia Civil, os envolvidos assumiram o risco de produzir o resultado morte.
O caso continua gerando repercussões políticas e jurídicas, enquanto autoridades municipais, estaduais e federais discutem medidas para evitar novas ocorrências no local.
Foto: Divulgação

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