Gerente usava ChatGPT para manipular imagens contra clientes no iFood

O gerente de uma hamburgueria acabou demitido por justa causa após o estabelecimento descobrir que ele utilizava inteligência artificial, especialmente o ChatGPT, para manipular imagens e contestar reclamação de clientes feitas no iFood. Como exemplo, a empresa mencionou que num pedido que foi com itens a menos do que o solicitado pelo consumidor, houve reclamação na plataforma de entrega e o gerente, então, manipulava imagem para mostrar “envio correto” da compra. A justa causa terminou com um processo na Justiça do Trabalho, que sentenciou no dia 30 de julho.

Versão do gerente

O caso tramita na 2ª Vara do Trabalho de Brasília (DF) e o trabalhador, em sua versão, pediu o reconhecimento da rescisão indireta de seu contrato de trabalho.

A alegação do gerente foi que houve descumprimento de obrigações contratuais, especificamente a ausência de depósitos de FGTS.

Também mencionou retenção indevida de valores de empréstimo consignado e a prática de assédio moral por meio de cobranças abusivas.

Versão da empresa

A empresa, no entanto, sustentou que a justa causa do gerente foi pautada na prática de improbidade.

Declarou que ele utilizou inteligência artificial para fraudar fotos de pedidos no aplicativo iFood, além de adotar comportamento desrespeitoso e disseminação de boatos contra o proprietário.

Uma testemunha descreveu o que ocorreu:

“O autor, ciente de que haviam sido enviados apenas dois refrigerantes em um pedido de quatro, manipulou a imagem por inteligência artificial para simular o envio correto e contestar a reclamação do cliente junto ao suporte do iFood”.

Sobre as demais queixas, a empregadora afirmou que tudo estava regularizado.

Conduta grave, concluiu juiz

Para o juiz Raul Gualberto Fernandes Kasper de Amorim, a conduta atribuída ao autor é grave, sobretudo porque ele ocupava cargo de gerência: “de quem se exige fidúcia especial e zelo pela imagem comercial do estabelecimento”.

O magistrado concluiu que o uso de artifícios tecnológicos para fraudar operações de entrega comprometeu a credibilidade da empresa perante parceiros comerciais e consumidores: configurando flagrante ato de improbidade e mau procedimento.

A justa causa foi mantida e o autor pode recorrer.

Botão de Redirecionamento Veja o número do processo

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.