A rotina de confiança e aparente normalidade em um tradicional estabelecimento comercial de Limeira, interior paulista, desmoronou após quase 14 anos. A funcionária responsável pelo caixa, que exercia cargo de gerente desde 2011, tornou-se alvo de investigação policial sob suspeita de ter desviado, ao longo dos anos, mais de R$ 1 milhão da empresa.
Como surgiu a suspeita
Até março de 2025, quando pediu demissão, a colaboradora jamais havia levantado desconfianças das proprietárias. O pedido de desligamento coincidiu com mudanças administrativas internas, que redistribuíram responsabilidades antes concentradas na gerente. Foi nesse momento que vieram à tona indícios de inconsistências financeiras.
Uma auditoria confirmou as suspeitas e apontou o suposto modus operandi: fechamentos antecipados de caixa realizados no sistema, o que impedia que parte das vendas fosse visualizada no registro contábil final. Segundo o levantamento, durante as férias da colaboradora não foram detectadas irregularidades no fluxo financeiro.
Valor milionário e forma de agir
O relatório contábil circunstanciado realizado por um sistema, parte da auditoria, apontou um desfalque de R$ 1.046.727,68 entre 2011 e 2025. A gerente teria se aproveitado de sua posição de confiança com as sócias da ótica e do pouco conhecimento técnico delas em relação ao sistema de controle para realizar as operações suspeitas.
Embora parte das condutas já esteja prescrita, todos os desvios posteriores a 2013 permanecem penalmente relevantes.
Inquérito policial instaurado
A Polícia Civil instaurou inquérito neste mês para apuração detalhada dos fatos e de eventual furto qualificado mediante abuso de confiança, sem prejuízo de enquadramento em outras infrações penais.
O documento que deu origem à investigação registra que as declarações das vítimas narraram, com verossimilhança, detalhes do suposto modo de agir, direcionando a autoria para a investigada, enquanto única operadora do caixa.
Próximos passos
Agora, o procedimento será instruído com oitivas da suspeita e de testemunhas, além de diligências complementares. Caso as suspeitas sejam confirmadas, a Polícia encaminhará os autos ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia criminal ou não. Se denunciada, a ex-gerente poderá enfrentar processo penal.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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