Falso investimento: clientes perdem R$ 680 mil em Limeira e empresária vira ré por estelionato

A administradora de uma empresa de soluções financeiras em Limeira (SP) responde por estelionato na Justiça. A denúncia já foi aceita e o Ministério Público (MP) elenca três casais vítimas. No total, a acusada ficou com R$ 680 mil que deveriam ter sido aplicados em investimentos. O dinheiro nunca voltou aos clientes.

O inquérito foi concluído pela Polícia Civil neste ano, mas os crimes ocorreram no mês de maio de 2022. Os casais perderam, respectivamente, R$ 312,6 mil, R$ 68 mil e R$ 300 mil.

Ela se apresentava como especialista

A empresária afirmava ser especialista em investimentos no mercado financeiro. Os valores monetários aportados pelas pessoas seriam empregados em investimentos que resultariam em ganhos expressivos a curto prazo.

Com o primeiro casal, a administradora firmou um contrato de mútuo conversível em participação de investimento. A contratação foi intermediada pelo terceiro casal, que trabalhava na empresa com a função de captação de clientes. O segundo casal também contou a intermediação desses funcionários.

Juros mensais

Segundo o MP, a finalidade dos contratos de prestação de serviços era o empréstimo do dinheiro das vítimas à empresa. A administradora faria, então, a aplicação no mercado financeiro para a obtenção dos lucros. Os clientes receberiam juros mensais no importe de 5%.

O primeiro casal depositou R$ 350 mil, mas só recebeu R$ 37,3 mil de volta. A administradora informou que havia perdido o dinheiro. O segundo casal investiu R$ 110 mil e a restituição foi de R$ 42 mil. Já os funcionários que intermediavam as transações também foram ludibriados: não receberam nada dos R$ 300 mil emprestados e a dona do negócio parou até mesmo de pagar seus salários – os investimentos eram descontados do rendimento.

Falsas promessas

Todas as vítimas fizeram representações criminais. O prejuízo total, portanto, chegou a R$ 680 mil.

“As vítimas entregaram essas quantias para ela sob falsas promessas de que tais investimentos iriam reverter em lucros em favor deles. No entanto, a denunciada nunca restituiu as quantias para os ofendidos, induzindo-os, assim, em erro e causando-lhes prejuízos financeiros”, afirmou o MP, que a denunciou, por três vezes, pelo crime de estelionato.

Versão da acusada

Ouvida pela polícia, a administradora, sócia única da empresa, disse que o negócio funcionou por três anos. Nesse período, ela tomou dinheiro emprestado para investir em “Day Trade” – compra e venda de ativos no mesmo dia, com aproveitamento das oscilações de preços no mercado. O objetivo eram 5% de juros mensais com base em rendimentos diários de 1%.

Contudo, após grandes perdas, não conseguiu honrar os pagamentos. Sobre o primeiro casal, relatou que o dinheiro foi utilizado para pagar outros investidores. Em relação ao segundo casal, citou que chegou a ceder um sofá de R$ 4 mil como parte de um acordo de quitação que não foi cumprido integralmente.

O juiz Guilherme Lopes Alves Lamas, da 2ª Vara Criminal, avaliou que estão presentes os indícios de materialidade e autoria. Após a citação, a ré terá prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação.

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Foto: Pixabay

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