por Farid Zaine
@farid.cultura
Quando Celine Dion desapareceu dos palcos, com o cancelamento de shows e turnês, o público ficou questionando o real motivo do afastamento da cantora. Célebre pela voz afinadíssima, pela extensão vocal que lhe permite alcançar agudos cristalinos, e por sucessos planetários como “My Heart Will Go On”, tema romântico do blockbuster de 1997, “Titanic”, Celine Dion estava doente, mas ninguém sabia ao certo do que se tratava. Nem mesmo ela, diga-se. Quando veio o diagnóstico, uma surpresa: Dion tem uma doença que ataca uma em um milhão de pessoas, e se chama “Síndrome da Pessoa Rígida”.
O que seria essa doença? Numa busca rápida encontramos a resposta:
“A Síndrome da Pessoa Rígida é um distúrbio neurológico raro que afeta o sistema nervoso, especificamente o cérebro e a medula espinhal.
De acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame, os sintomas da doença são rigidez muscular extrema e espasmos dolorosos no tronco e nas extremidades, o que prejudica gravemente a mobilidade. O Instituto também explicou que os espasmos podem ser tão fortes a ponto de fraturar os ossos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença tende a surgir entre os 40 e os 60 anos de idade. Pequenos estímulos, como ruídos e luz, podem causar graves espasmos.
Os movimentos involuntários não ocorrem durante o sono e raramente envolvem os músculos cranianos. A síndrome não tem cura, mas tratamentos específicos podem amenizar os sintomas”.
Celine Dion começou a ter sintomas da doença há muitos anos, mas não sabia do que se tratava. O diagnóstico definitivo veio apenas em 2022. Com uma carreira vitoriosa, milhões de discos vendidos e fãs que lotavam estádios para vê-la em seus shows, Celine jamais pensou que um dia sofreria de uma síndrome rara que a faria precisar parar de cantar, a paixão de sua vida. Quando a síndrome se agravou muito, ela resolveu se abrir para o público, mostrando sua intimidade no cotidiano, em todos os momentos em que ela, isolada em sua mansão, luta contra a doença.
Está em cartaz no Prime Video um documentário lançado no dia 25 de junho, dirigido por Irene Taylor, com o título “Eu sou: Celine Dion”. A cantora quis que o filme registrasse todos os momentos do seu cotidiano, com os longos exercícios de fisioterapia, enquanto ela fala da vida, do significado da música para sua existência, dos filhos e do marido morto em 2016.
O documentário traz momentos importantes da carreira de Celine Dion, mostrando um pouco dos seus deslumbrantes shows e algumas apresentações de suas canções de sucesso. O objetivo da diretora era atender ao desejo da cantora de compartilhar com seu público o grave problema de saúde que ela enfrenta, sem esconder nada.
Por causa disso, uma das cenas mais impactantes do longa é o registro de uma crise que ela sofre após se esforçar para gravar num estúdio; durante dez minutos acompanhamos Celine sofrendo espasmos musculares, com o rosto transfigurado pela dor, enquanto é socorrida e auxiliada por fisioterapeutas. É uma sequência difícil de ver.
O documentário de Irene Taylor é importante por revelar uma mulher corajosa, de extremo talento, de enorme sucesso mundial, de repente às voltas com o drama de uma doença que a priva de exercer sua profissão, a paixão pela música, pelo ato de cantar. Por se tratar de uma estrela da grandeza de Celine Dion, o documentário peca por não conter mais números musicais reveladores do seu talento.
De qualquer modo, é importante ver “Eu Sou: Celine Dion”, não só para compreender o sofrimento da artista, mas para refletirmos sobre nossa própria vulnerabilidade: não há redomas, castelos suntuosos, nem muito dinheiro que nos tornem imunes às tragédias que podem abalar e modificar nossas vidas repentinamente. A estrela Celine Dion, aos 56 anos, com Síndrome da Pessoa Rígida, quis dar esse recado.
EU SOU: CELINE DION – Documentário dirigido por Irene Taylor, sobre a carreira e a síndrome rara que fez Celine Dion se afastar dos palcos. Disponível no Prime Video.
Cotação: **** MUITO BOM

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